terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O fim do Nasserismo no Oriente Médio

Todos estes ditadores do Oriente Médio que emergiram com movimentos emancipacionistas, à partir das décadas de 50 e 60, em defesa dos interesses nacionais, com apoio popular, e com base nas Forças Armadas de seus países, estão em agonia.

Nasser, Kadafi, e outros foram bastiões da defesa dos seus povos, mas desgastaram-se, burocratizaram-se, corromperam-se.

Não resolveram as questões principais de seus países. Foi uma espécie de militarismo de esquerda, sem raízes populares, com algum caráter Robinhoodiano, de defensor dos fraco e oprimidos. Com o tempo foram degradando-se.

A miséria, o desemprego e ausência de serviços básicos de qualidade cresceram, combinando-se com o usufruto das riquezas adquiridas com a venda de petróleo pelas elites palacianas.

Apenas estas elites do poder usufruíram nestas décadas.

Agora uma onda varre o Oriente Médio em busca de abertura política, liberdades democráticas.

Põe em xeque os próprios movimentos fundamentalistas, que à princípio davam a impressão de aglutinarem esta insatisfação.

Os EUA e a Europa saem desgastados por terem referendado durante décadas a pobreza e a repressão aos povos da região.

Mubarak tem os dias contados, mas a redemocratização do Egito é uma incógnita.

Não há projeto nacional, mas forte exclusão.

O país precisará se repensar em outros parâmetros.