domingo, 31 de julho de 2011

A democracia brasileira tem poder para julgar o Comandante do Exército?

Esta é uma questão difícil de se responder, porque a democracia brasileira, conquistada nas ruas pelo povo brasileiro, ainda que as novas gerações não saibam, realizou-se através de uma estratégia de recuo estabelecida pelo General Golberi, no sentido de proteger  a corporação de qualquer ataque posterior.

Alguém sabe dos documentos sobre as prisões, onde se saberia das torturas realizadas na época, e mesmo das mortes, explicadas como desaparecimentos, ou fugas que redundaram em morte?

Segundo o Ministro Nelson Jobin, eleitor confesso de Serra, mas Ministro da  Dilma(sic), eles não existem mais. 

Acredito neste fato, simplesmente por aceitar que ninguém deixará provas de sua barbárie. Seria uma grande ingenuidade, ou burrice. Como nenhuma coisa nem outra, faz parte das Forças Armadas, penso que estes documentos já foram queimados, viraram pó, como tudo.

Com o desaparecimento da oposição ao Governo, a mídia passou a fazer este papel auxiliar, enveredando-se ora em requentar fatos antigos, ora em criar fatos novos dando-lhes novas dimensões.

O tema é o de sempre: procurar vincular o Governo à corrupção, e à partir daí gerar uma crise, e incentivar a paralisação da gestão Dilma.

Foi sob esta batuta que ocorreu o Golpe Militar de 1964, isto é, contra o comunismo e a corrupção. Vivíamos, na época, sob um mundo ainda bipolarizado entre a URSS e os EUA, mais a sombra do Macartismo ainda muito presente, gerando ambiente de desconfiança e perseguição.

As Forças Armadas tornaram-se na época o baluarte desta luta.

Por isso, agora, é até um certo ponto surrealista ver a caça voltar-se contra o caçador. 

É inimaginável pensar-se que o Exército brasileiro esteja envolvido em corrupção, mas os fatos apontam para um Comandante do Exército, General Enzo Martins Peri,  e sete Generais investigados pela Procuradoria-Geral da Justiça Militar por suspeita de participarem de fraudes em obras do Exército, como aponta reportagem deste domingo da Folha.

Esta é uma investigação que já vinha sendo feita há algum tempo, mas pegou carona nas descobertas de desvios no Ministério dos Transportes, que já provocou a saída de Ministros e diversos secretários.

Há um inquérito aberto com indícios de fraudes em 88 licitações do Exército para fazer obras do Ministério dos Transportes apontando desvios da ordem de R$11 milhões. Nos últimos 5 anos, somente no Dnit, que teve toda a diretoria afastada, o Exército recebeu R$ 104 milhões.

Investigações mostram que foram criadas por um Coronel e um Major, 6 empresas para entrar na concorrência do IME(Instituto Militar de Engenharia), com o dinheiro do Dnit.

Cabe perguntar se a Procuradora Geral da Justiça Militar, Sra. Cláudia Luz, terá condições para exercer uma investigação isenta de pressão, afinal os investigados correspondem aos seus superiores, a quem ela deve subordinção.

Tenho a opinião de que a corporação considera que qualquer acusação aos envolvidos, será considerada acusação a todas as Forças Armadas, pelos seu passado considerado incorrupto.

É, mas os tempos são outros, e crimes de corrupção, venham de onde vierem, devem ser investigados à fundo e punidos os culpados, não importando quem sejam.

Este é um bom teste para a nossa jovem democracia, em sua fase popular.

A mídia tem interesse objetivo de colocar as Forças Armadas contra o Governo Dilma.

Por isso está com os holofotes voltados para verificar se o Governo Dilma punirá a corrupção dentro do Exército.

Se punir, o governo poderá sair arranhado dentro da Força, e se não punir, será condescendente com a corrupção, e motivo de desgaste público.

No popular: Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come

De qualquer forma, será um bom teste democrático para o Brasil, que isentou os torturadores com a anistia irrestrita, e tem uma cumbuca onde ninguém põe a mão até hoje.

Só que corrupção também existia no período ditatorial, apenas não eram divulgada, mas que havia também havia.

A diferença é que hoje há liberdade de expressão, que gera a nossa indignação. Antes não se gerava nada, só mêdo.