sexta-feira, 1 de julho de 2011

Governo chinês pode tornar-se mais democrático com a Igreja Católica

Grandes são os avanços econômicos e sociais conquistados pela china, capitaneados pelo Partido Comunista da China, que soube dar rumo à nação que está por tornar-se a na próxima década a maior potencia do mundo.

Nada disso foi ainda digerido pela mídia mundial, sobre o significado deste avanço econômico. tecnológico, social, e tratam de dizer que a China não é mais socialista, para desdenhar o novo modo de organização social que está dando certo para povo desta nação socialista.

A minoria católica chinesa, entretanto, padece de uma singular discriminação que ocorre há algumas décadas. O caráter nacional do socialismo chinês rejeitou a forma de organização da Igreja Católica desde o início, por ser vinculada a Roma.

Atualmente, grandes líderes evangélicos encontram mais guarita por lá, sem serem molestados, mas aos católicos foi imposta uma duplicata da Igreja Católica, uma chamada Igreja Patriótica Católica, sem vínculos com Roma, buscando semelhança em tudo, mas cada vez se diferenciando mais.

E a Igreja Católica foi se tornando a contragosto clandestina, pois foi proibida de ordenar sacerdotes e bispos, se mantivessem os vínculos com Roma, que convenhamos, é a uma característica básica dos católicos.

As prisões começaram e aumentaram desde então, existindo Bispos e padres presos.

Desde a morte do Papa João Paulo II iniciou-se uma aproximação, demonstrando que é possível a convivência, como foi habilmente conseguido em Cuba, com Fidel e João Paulo II.

Estava, neste sentido sendo preparada a ordenação de um Bispo em comum acordo da Igreja com o Governo da China, quando novamente ocorre a prisão. O candidato a Bispo, foi preso e outro Bispo, um patriótico, foi sagrado, sem a permissão de Roma.

Acredito que não fica bem fazer este tipo de ingerência interna sobre a vida eclesial da Igreja, ferindo os princípios mais elementares de liberdade de culto. ainda mais para um país que vai se projetando com líderança mundial, porque tudo vai se tornando público.

Deixo para reflexão de todos a matéria que recolhi do Zenit.

Invoco meu sentimento socialista e libertário para fazermos uma crítica e autocrítica sincera que possa  superar a deformação da vida religiosa nesta nação.

China: candidato a ordenação episcopal legítima é detido



E sacerdote fiel a Pequim é ordenado bispo sem aprovação do Papa


HONG KONG, sexta-feira, 1º de julho de 2011 (ZENIT.org) – A detenção de um sacerdote fiel a Roma, neste domingo, 26 de junho, impediu sua ordenação episcopal, acordada pelo Vaticano e por Pequim para o dia 29 de junho – dia em que precisamente foi ordenado um bispo fiel à Associação Católica Patriótica Chinesa, sem a aprovação da Santa Sé.


O sacerdote detido, que ainda se encontra em paradeiro desconhecido, Joseph Sun Jigen, se tornaria, nesta quarta-feira, bispo coadjutor de Handan (Hebei), no norte da China.


Mas este bispo eleito, de 43 anos, foi detido pela polícia três dias antes da sua consagração episcopal, justamente quando havia finalizado um retiro espiritual de cinco dias, segundo informou a agência AsiaNews.


Sua ordenação episcopal havia sido aprovada pela Santa Sé e reconhecida pelo governo chinês.


Nos últimos dias, representantes diocesanos haviam estado negociando com oficiais das autoridades locais e provinciais sobre a organização da ordenação episcopal, mas não conseguiram chegar a um acordo.


Neste difícil contexto, o bispo de Handan, que ordenaria o sacerdote detido e que já tem 89 anos, sofreu um ataque ao coração e teve de ser hospitalizado em Weixian, em Hebei.


Enquanto isso, no mesmo dia em que se celebraria esta cerimônia, foi realizada, na igreja de Nossa Senhora do Rosário, da cidade de Emeishan (província de Sichuan), a ordenação do bispo de Leshan, Paul Lei Shiyin.


A consagração episcopal foi celebrada por decisão da Associação Católica Patriótica Chinesa e sem a aprovação da Santa Sé.


Segundo o Vatican Insider, o bispo Lei é vice-presidente da associação chinesa de católicos patriotas e deputado da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, um importante órgão assessor do governo. Tem um filho, fruto da relação com uma mulher.


Na mesma quarta-feira, 29 de junho, à noite, cerca de 100 católicos, encabeçados pelo bispo emérito de Hong Kong, cardeal Joseph Zen, levaram a cabo um protesto no exterior do escritório do governo central da China na cidade.


Condenavam o trato inumano do regime comunista ao clero e pediam a libertação dos membros da Igreja que foram detidos.


Os manifestantes carregavam cartazes, faixas, uma grande cruz e cantavam hinos. Também colocaram faixas amarelas – cada uma delas com o nome de um clérigo desaparecido ou detido – e depositaram uma carta na porta do escritório.


Instaram o governo a investigar os casos de sacerdotes torturados e exigiram desculpas e compensações.


Um porta-voz deste grupo, Patrick Poon, declarou que os católicos de Hong Kong se viram “forçados a sair às ruas” porque “os direitos humanos, em concreto a liberdade religiosa dos católicos chineses, foram gravemente violados, chegando-se a uma situação intolerável”.


Poon se referiu à “triste e lamentável ordenação ilícita” realizada em Leshan e mencionou a ordenação legítima cuja celebração estava prevista em Handan, mas que teve de ser cancelada.


“A obstinação do governo chinês de continuar as ordenações ilícitas é uma grave mostra de falta de respeito à Igreja e cria divisão e dor”, acrescentou.


Os manifestantes católicos celebraram depois uma Missa presidida pelo cardeal Zen, em uma capela próxima, com a liturgia da solenidade dos santos Pedro e Paulo e orações pelos que sofrem e são perseguidos na China.
 
Grande é minha dor por ver que as imensas conquistas atingidas pelo valoroso povo chinês se esbarrarem numa desnecessária ingerência na vida interna da Igreja Católica, fato que pode ser facilmente superado. Basta vontade política.

No Brasil, até a República, a Igreja era dominada pelo estado brasileiro, que igualmente escolhia os Bispos e sacerdotes, e decidia sobre a abertura de novas Dioceses.

De fato, somente com a República é que houve a independência da Igreja Católica no Brasil. Inúmeros foram os casos em que o Governo do Império escolhia um Bispo e Roma não aceitava.

Há um famoso caso de um Bispo escolhido pelo Padre Feijó, o que já era uma aberração (um padre escolhendo um Bispo), para ser Bispo do Rio de Janeiro, e que não foi reconhecido por Roma pois não era celibatário, e a situação ficou num impasse de quase 10 anos, com vacância na Diocese do Rio de Janeiro.