sábado, 19 de outubro de 2013

Não havia nada




Ao chegar
não havia nada.

A humanidade que persegui
escondia-se atrás dos cargos
em busca do poder,
tal como nas mil paragens.

Verifiquei as energias 
que se concentravam 
acima do estômago
a posição da cabeça ereta
e das mãos.

Impávido,
lembrei das mulheres
esfregando roupas finas
nas beiras dos rios
crianças descalças
desdentadas
famintas.

Arregacei as mangas,
olhei de igual para igual
e falei forte e natural,
segurando os olhos
para não chorar,
ao chegar ao lugar
onde não havia nada

(poema "Não havia nada" do livro "Dito pelo não dito")