terça-feira, 8 de outubro de 2013

Bancários de todo país rejeitam proposta de 7,1% da Fenaban e mantêm greve

Depois de um mês de silêncio os banqueiros apresentaram a proposta de elevar o salário de 6,1 para 7,1, ganho real de 0,97. Dá para acreditar?

Assembleia Rejeicao Proposta Foto Joao Ubaldo

A proposta dos bancos, de elevar de 6,1% para 7,1% (ganho real de 0,97%), foi apresentada na sexta-feira (04), depois de um mês de silêncio. No mesmo dia foi rejeitada pelo Comando Nacional, que enviou ofício à Fenaban reafirmando "a necessidade de os bancos apresentarem uma nova proposta que de fato atenda às reivindicações econômicas e sociais dos bancários".

A proposta da Fenaban inclui ainda, de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), 90% do salário reajustado, mais valor fixo de R$ 1.694,00 (aumento de 7,5%), limitado ao valor de R$ 9.011,76. A PLR adicional teria reajuste de 10%.

Com o reajuste, o tíquete refeição passaria a ser de R$ 22,98 por dia e auxílio alimentação de R$ 394,04 por mês (mesmo valor para a 13ª cesta alimentação). O piso salarial teria um reajuste de 7,5% (ganho real de 1,34%). Assim, um caixa passaria a ganhar, no mínimo, R$ 2.209,01 (salário mais gratificação).

Lucros crescentes

Na Bahia, os trabalhadores consideram um desrespeito, se levado em conta que o sistema financeiro é, disparadamente, o segmento mais lucrativo da economia nacional. Apenas os seis maiores bancos em operação no país – BB, Itaú, Bradesco, Caixa, Santander e HSBC – tiveram lucro líquido de R$ 30 bilhões no primeiro semestre.

O presidente do Sindicato da Bahia (Seeb), Euclides Fagundes, não tem dúvida. “Os bancos podem oferecer muito mais. A única saída é a radicalização da greve”. Nesta quarta-feira (09/10), às 16h30, os bancários realizam nova passeata pelo Centro de Salvador e na quinta-feira (10/10) voltam a se reunir em assembleia, às 18h30, no Ginásio de Esporte, ladeira dos Aflitos.

Segundo levantamento da Consultoria Economática, entre as 316 empresas brasileiras de capital aberto, que tiveram uma aumento no lucro líquido de 18,4% no segundo trimestre de 2013, o setor bancário, com 24 instituições, é o que teve a maior lucratividade no período (R$ 17,13 bilhões). Aumento de 46,6% em relação ao segundo trimestre do ano passado, quando alcançou R$ 11,69 bi.

Para os bancários, os resultados confirmam que os banqueiros têm todas as condições de atenderem as reivindicações dos bancários na campanha salarial, principalmente, de aumento real e de PLR (Participação nos Lucros e Resultados). Os balanços dos seis maiores bancos no Brasil (Banco do Brasil, Caixa Federal, Itaú, Bradesco, Santander e HSBC) no primeiro semestre demonstram que lucraram juntos R$ 29,6 bilhões, 18,21% a mais do que no mesmo período de 2012, quando seus resultados alcançaram R$ 25 bi. O aumento da receita com tarifas também foi significativo. Passou de R$ 41,5 bilhões em junho de 2012, para R$ 46,7 bilhões em junho deste ano, crescimento de 12,51%.

Greve forte

Apesar das práticas antissindicais dos bancos, como os interditos proibitórios, ameaças a grevistas e contingenciamentos, a greve vem crescendo dia após dia.

No 19º dia da paralisação, os bancários mantiveram fechadas 11.717 agências e centros administrativos de bancos privados e públicos em todos os 26 estados e no Distrito Federal - o que representa um crescimento do movimento de 90,6% em relação ao primeiro dia, quando 6.145 estabelecimentos financeiros foram parados.

“A força da nossa greve quebrou o silêncio dos patrões. Ainda assim, a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos foi considerada insuficiente e a orientação do Comando Nacional dos Bancários é pela permanência da greve até que os bancos apresentem proposta mais satisfatória”, afirma o presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE) José Souza. 

Segundo o Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito, o número de pessoas em busca de crédito diminuiu 9,8%, em setembro, comparado a agosto, em razão da greve dos bancários. Na sexta-feira 4, a CNDL (confederação dos lojistas) havia estimado perda nas vendas de até 30% em regiões como a Nordeste, onde o uso do dinheiro no varejo é maior, por conta da paralisação da categoria.

Na base da Federação dos Bancários da bahia e Sergipe (Feeb), 1.009 agências permanecem sem funcionar, sendo 837 na Bahia e 172 em Sergipe. Na base do Sindicato da Bahia, 477; de Vitória da Conquista, 71; de Feira de Santana, 34; de Ilhéus, 27; de Irecê, 37; de Jacobina, 28; de Jequié, 27; de Itabuna, 37; de Camaçari, 17; de Barreiras, 57; e de Juazeiro, 25.

Os trabalhadores demonstram determinação de seguirem firmes até que os bancos atendam às reivindicações da categoria, no que diz respeito à valorização profissional e melhores condições de trabalho. A proposta feita pela Fenaban prevê 0,97% de aumento real (reajuste de 7,1%) e nenhum avanço para questões consideradas prioritárias pelos bancários.

Em São Paulo, até os trabalhadores de algumas das principais concentrações do Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Federal estão de braços cruzados. Pressão constante pelo cumprimento de metas abusivas, falta de valorização, número insuficiente de pessoal são alguns dos motivos elencados pelos trabalhadores terceirizados ou não, que deriram ao movimento paredista.

Os centros administrativos Brigadeiro, ITM, Tatuapé, Tecnológico Operacional e Raposo, do Itaú; os Casas 1, 2 e 3 e call center, do Santander; Nova Central, Telebanco, Prime e Núcleo Alphaville, do Bradesco; complexos São João, 15 de Novembro e Verbo Divino, do Banco do Brasil; e a Superintendência Regional Penha e a Diret, da Caixa Federal; estão com as atividades paralisadas nesta terça 8, quando a categoria completa seu 20º dia de greve nacional.

A maioria dos complexos administrativos paralisados abriga setores estratégicos das instituições financeiras como os serviços de call center. Além dessas concentrações estão em greve funcionários de bancos públicos e privados dos centros Velho e Novo, Paulista e Osasco.

Reunidos em assembleia na noite da última segunda-feira (07), bancários de todos o país decidiram em massa rejeitar a contraproposta apresentada pela Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e manter a greve iniciada no último dia 19 de setembro.
Portal CTB com Seebs

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