Acostumei-me a celebrar a renovação anual das passagens de ano: é barquinho de iemanjá lançado nas praias, é gente usando roupas brancas(depois farão muitas coisas às escuras), é bebida e bebida para festejar, beijinhos de boa sorte, mesa farta, etc..
Quando passa a enxaqueca da noite de 31 de dezembro e adentra o 1 de janeiro, tudo continua igual.
Não acredito em mágicas para a vida. A realidade social é clara: ralar para sobreviver. E acrescento, lutar pela justiça e a verdade, sendo solidário com o povo em suas lutas e dificuldades. Isto sim, não depende de passagem de ano.
Mas querem-me vestir de branco, querem beijar-me artificialmente, e vá lá, deixo, para que não me achem muito chato. Depois todos voltam ao normal mesmo.
De qualquer forma quero desejar um 2011 de crescimento e profundamento no conhecimento da vida, e na presença no mundo, transformando-o, numa perpectiva igualitária, com pronta solidariedade a qualquer necessitado, antes, durante e após qualquer política para a erradicação da miséria.
Um 2011 dos pequenos, dos esquecidos, dos enfermos, dos abandonados, que continuarão no tempo que não passa, na miséria crônica.
TEMPOS REMOTOS
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