terça-feira, 6 de setembro de 2011

Igreja virá forte em 2012, em defesa da saúde pública gratúita




Em 2012 a Igreja Católica terá como tema da Campanha da Fraternidade, "A FRATERNIDADE E A SAÚDE PÚBLICA"  e como lema "Que a saúde se difunda sobre a terra"Eco 38,8.

Os diversos grupos que trabalham nas Pastorais da Saúde,  em especial os Camilianos, Ordem Religiosa voltada exclusivamente ao atendimento aos enfermos, emplacaram junto à CNBB esta campanha tão importante.

Desejam "sensibilizar a todos sobre a dura realidade de irmãos e irmãs que não têm acesso à assistência de Saúde Pública condizente com suas necessidades e dignidade. É uma realidade que clama por ações transformadoras".


Basicamente esta campanha vem em defesa do SUS, em exigir que o Sistema Único de Saúde seja capaz de atender com qualidade a todos os brasileiros e cidadãos que aqui vivem.

No início da década de 1990 a ONU estabeleceu 8 metas de melhorias sociais a serem implementadas pelos países com deficits nestes indicadores. Passaram a ser chamadas de "As Metas do Milênio". Entre estas metas 4 dizem respeito especificamente à Saúde Pública, e estão citadas em negrito:

1) Reduzir pela metade o número de pessoas que vivem na miséria e passam fome
2) Educação básica paratodos.
3) Igualdade entre os sexos e mais autonomia para as mulheres.
4) Redução da mortalidade infantil.
5) Melhoria da saúde materna.
6) Combate a epidemias e doenças.
7) Garantia de sustentabilidade ambiental.
8) Estabelecer parcerias mundiais para o desenvolvimento.

Com relação ao ítem 4, Redução da Mortalidade infantil pode-se afirmar que o Brasil é um dos países onde mais se reduziu a mortalidade infantil: de 69,12 óbitos por mil nascidos vivos, em 1980, para 19,88, em 2010, segundo dados da Revista The Lancet, em seu estudo Saúde no Brasil (2011). O decréscimo de 71,23% é um avanço positivo e aconteceu basicamente graças ao SUS, à participação da sociedade, e ao incentivo ao aleitamento materno. entre 1970 a 2007 o aleitamento materno aumentou de 2,5 pra 14 meses. As Pastorais sociais e da Criança foram igualmente importantes para a efetivação destes números, mostrando a presença objetiva da Igreja para a melhoria da qualidade de vida da população. Para efeito de comparação, o índice dos países mais desenvolvidos é de 2 a 5 em média. 

O quinto objetivo das "Metas do Milênio" é a  saúde materna que tem recebido apoio social. Entretanto, preocupa particularmente a gravidez na adolescência, embora o Ministério da Saúde tenha detectado redução de 9%em partos de adolescentes entre 2000 e 2008. É urgente a oferta de melhor assistência às adolescentes gestantes para que estas se preparem bem para todo oprocesso do parto e dos cuidados adequados com os bebês.

O Ministério da Saúde considera precoce a idade em que ocorre a gravidez no Brasil:

20% dos partos são de jovens entre 15 e 19 anos.

29% dos partos são de jovens entre 20 e 24 anos.

O número de cesarianas cresceu muito no Brasil, que se tornou o detentor da maior taxa do mundo.

Os partos com cesarea passaram de 38% em 2000, para 47% em 2007. É um verdadeiro absurdo estes números, que são responsáveis pela maior morbidade da mãe e do bebê. Bebês nascidos por este meio têm menor peso que os nascidos de parto natural.

O acompanhamento pré-natal de 7 consultas ainda é baixo, mesmo com a melhora de 43,7% para 55,8% em 2008.

Voluntários das Pastorais da Criança acompanham as jovens nestas condições, cooperando para que superem suas dificuldades.

A expectativa de vida dos brasileiros tem apresentado evolução significativa nas últimas décadas.

Segundo o IBGE, em 2008 a esperança de vida dos brasileiros, ao nascer chegou a 72 nos, 10 meses e 10 dias, sendo a média entre os homens de 69,11% e das mulheres 76,71%

De 1980 ao ano 2000 a população de idosos cresceu 107% enquanto a dos jovens de até 14 anos cresceu 14%.

A melhoria no Brasil, das condições de vida em geral trouxe maior longevidade à população. O número de idosos aumentou e já chega a 21 milhões de pessoas. as projeções apontam para uma duplicação deste contingente nos próximos 20 anos.

Assim, em 2050 haverá no Brasil aproximadamente 100 milhões de pessoas com mais de 50 anos.

Isto causará mudanças significativas no campo da saúde. Em 2008 apenas 22,6% dos idosos declararam não ter doenças.

entre os com mais de 75 anos, este percentual cai para 19,7%.

Se não for implantada uma política agressiva de prevenção de doenças e promoção da vida saudável, haverá uma população crescente de idosos sem acompanhamento.

QUAIS SÃO AS GRANDES PREOCUPAÇÕES NA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL?

1) Doenças crônicas não transmissíveis (doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, cânceres, doenças renais crônicas e outras)

2) Denças transmissíveis (AIDS, tuberculose, hanseníase, influenzae ou gripe, dengue ou outras).

3) Fatores comportamentais de risco modificáveis (tabagismo, dilipidemias por consumo excessivo de gorduras saturadas de origem animal, obesidade, ingestão insuficiente de frutas e hortaliças, inatividade física e sedentarismo).

4) Dependência química e uso crescente e disseminado de drogas lícitas e ilícitas ( álcool, crack, oxi e outras).

5) Causas externas (acidentes e violências)

Iremos daqui para frente ir comentando sobre cada um destes 5 fatores de geração de problemas de saúde pública no nosso país.

A Igreja está vindo para bater forte nesta tecla, doa a quem doer.