segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Folha tenta impor agenda eleitoral através de pesquisa

Atravessando todo esforço de Lula por indicar, sem prévias internas do PT, o nome de Fernando Haddad, e do próprio PSDB, com Geraldo tentando emplacar algum candidato novo, a Folha tenta impor uma agenda velha para as eleições municipais.

Qualquer cidadão sabe que ao se realizar uma pesquisa os nomes que sobressairão serão daqueles velhos conhecidos de todos. Nenhuma pesquisa aponta o novo já de início.

Dito isto, podemos supor com boa chance de acertar, que a Folha procura influir no processo de escolha dos candidatos, aumentando a esperança de alguns em conseguir a vaga, caso da Marta suplicy, que já estava até desistindo, depois de conversas com Lula e Dilma.

 É de conhecimento dos caciques partidários que nestas eleições para prefeitura, o aspecto da novidade tem fortes chances de crescimento eleitoral. Não fosse assim, eles estariam reforçado os nomes já conhecidos por todos.

No PT que acaba de fazer o seu Congresso, a idéia é fugir da realização de prévias internas, que podem mais dividir que unir, mas a Folha, com esta pesquisa, incentiva estas prévias, não é mesmo?

Paradoxalmente, o candidato do Lula, tem tudo para não pegar. O seu pacote anti homofobia, o chamado "kit-gay" do MEC está lhe dificultando o apoio do PRB, partido da Igreja Universal, sinalizado em encontro que manteve com integrantes desta sigla.

Quanto a pesquisa em si, de um lado, e o que o jornal comentou, de outro, há uma distância bem grande, que nos faz supor que algumas informações coletadas não foram de total agrado dos promotores da enquete.

Uma delas diz respeito à indicação do candidato, o chamado "quem indica", que por si só, põe por terra toda a pesquisa. Sanão vejamos:

40% dos eleitores pesquisados diz que poderia votar num candidato apoiado por Lula.

26% dos eleitores votariam em candidato apoiado por Dilma

27% votaria em candidato apoiado por Geraldo Alckmin

e 15% em candidato apoiado por Kassab.

Estes dados dão 66% de apoio a um candidato apoiado pelo PT. A oposição agora com o PSD de Kassab fica com reduzidos 26%.

A omissão do nome de Netinho de Paula nas análises, sendo que sua presença é bastante significativa neste momento em que nem há campanha, dá a impressão de que se procura requentar o confronto PT  X  PSDB, e retirar a noção do surgimento de terceiro ou quarto candidatos.

Netinho em muitas simulações entra em terceiro e até em segundo, mas não é evidenciado.

Quanto à rejeição, esta também não é suficientemente evidenciada, porque atinge diretamente Marta, Serra e Netinho, todos na faixa de 30% do número pesquisado.

Quanto à rejeição de Netinho, por ser negão e pagodeiro, e nisto ir contra os bons costumes da classe média paulista que deseja advogado ou engenheiro na política, em vez de periferia, sugiro que o candidato faça como o Palmeiras fez com o porco. De tanto ser criticado, o torcida do Palmeiras assumiu o personagem do porco, e desfez-se a gozação. Penso que Netinho tem que elevar ao máximo suas origens e assumir seu pagode de público, sem medo de se mostrar, como forma de quebrar o preconceito das elites contra ele. O seu eleitorado gostará e ele mostrará que é mais próximo do que os outros, agregandona campanha o seu conhecimento da cidade e o seuprojeto, obviamente.