segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Sudão: continuam ataques contra civis


Retirei do Zenit. Os conflitos no Sudão continuam, apesar das declarações em contrário.


Governo de Cartum prossegue ofensiva apesar do cessar-fogo


KÖNIGSTEIN, segunda-feira, 5 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Apesar do cessar-fogo, os ataques dos militares contra os civis no estado sudanês de Kordofan do Sul, centro das disputas, não terminaram.


O governo de Cartum continuou as operações militares apesar das declarações do presidente Omar Al-Bashir, segundo as quais o cessar-fogo de 23 de agosto havia levado calma à região.


“Não houve um cessar-fogo realmente, porque Bashir fala, mas no sue território acontecem coisas muito diferentes”, afirmaram.


“Confiamos na intervenção das Nações Unidas.” O governo leva adiante os ataques na região que cerca os montes Nuba, em Kordofan do Sul, pedindo aos milhares de rebeldes da região que abandonem as armas e que retirem a petição de maior autonomia.


O porta-voz dos militares, Alsoarmi Khaled, fez uma declaração, no último dia 31 de agosto, negando as afirmações da Anistia Internacional e de Human Rights Watch, que diziam que os ataques aéreos haviam continuado depois do cessar-fogo.


Alguns informes enviados a AIS por John Ashworth, do Sudan Ecumenical Forum, revelaram que os combates na região continuam, assim como os ataques aéreos. “Não há bombardeios, mas se combate em Mendi – informaram as fontes a AIS. Escutam-se fortes disparos.”


Até agora, as bombas provocaram pelo menos 26 mortos, 46 feridos e 150 deslocados.


Falta de alimentos

Os combates estão provocando uma carência de alimentos na região. “Não há comida no supermercado”, destacam as fontes da AIS. “As pessoas compartilham, mas a quantidade de alimentos não é suficiente.”


A maior parte das pessoas está se refugiando nas montanhas, mas as fortes chuvas provocaram problemas e doenças.


O governo de Cartum acusou o Sudão do Sul de apoiar os grupos rebeldes de Kordofan do Sul e de Darfur, além de apresentar denúncias oficiais ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.


Respondendo a estas declarações, o ministro das comunicações no Sudão do Sul, Barnabás Marial Benjamin, disse a Reuters que “Cartum está tentando criar uma cortina de fumaça para distrair a preocupação do Conselho de Segurança pelos bombardeios de civis em Kordofan do Sul”.

“[O governo do Sudão] fracassou em sua missão de levar a paz a Darfur, Kordofan do Sul e ao Nilo Azul. Busca um bode expiatório e culpa o Sul”, acrescentou.

Com base no Acordo de Paz de 2005, em 2011 deveria acontecer um processo de consulta em Kordofan do Sul para determinar o futuro do Estado.