terça-feira, 27 de setembro de 2011

Interessante reflexão de Bento XVI sobre a santidade

Em meio a tantas críticas à viagem de um velho que tornou-se Papa, alemão voltando a sua pátria, não teria este direito?
Rejeitado no Parlamento alemão por alguns, acusado de ter sido nazista, por acobertar pedófilos, este velho Papa reconheceu o direito da crítica e das manifestações e participou de todo o cerimonial que lhe fora preparado.
Recordo-me do Papa João Paulo II não conseguindo falar para o público, com a morte já à sua espreita. Quem protege os idosos e os eleva até o último instante neste mundo? Não tenho outra lembrança. Quando adoecem, tchau tchau, como se diz.
Bem, não é esse o motivo deste artigo, mas uma preleção feita pelo Papa Bento XVI aos jovens em Freiburg, em 24/09/2011, que repasso agora para sua reflexão:

Neste ponto, não devemos calar o facto de que o mal existe.

Vemo-lo em tantos lugares deste mundo; mas vemo-lo também – e isto assusta-nos – na nossa própria vida.

Sim, no nosso próprio coração, existe a inclinação para o mal, o egoísmo, a inveja, a agressividade.

Com uma certa autodisciplina, talvez isto se possa, em certa medida, controlar.

Caso diverso e mais difícil se passa com formas de mal mais escondido, que podem envolver-nos como um nevoeiro indefinido, tais como a preguiça, a lentidão no querer e no praticar o bem.

Repetidamente, ao longo da história, pessoas atentas fizeram notar que o dano para a Igreja não vem dos seus adversários, mas dos cristãos tíbios.

Então como pode Cristo dizer que os cristãos – sem ter excluído os cristãos fracos e frequentemente tão tíbios – são a luz do mundo?

Compreenderíamos talvez que Ele tivesse gritado: Convertei-vos!

Sede a luz do mundo!

Mudai a vossa vida, tornai-a clara e resplandecente!
Não será caso de ficar maravilhados ao vermos que o Senhor não nos dirige um apelo, mas diz que somos a luz do mundo, que somos luminosos, que resplandecemos na escuridão?
* * *

Queridos amigos, o apóstolo São Paulo, em muitas das suas cartas, não tem receio de designar por «santos» os seus contemporâneos, os membros das comunidade locais.

Aqui torna-se evidente que cada baptizado – ainda antes de poder realizar boas obras ou particulares acções – é santificado por Deus.

No baptismo, o Senhor acende, por assim dizer, uma luz na nossa vida, uma luz que o Catecismo chama a graça santificante.
Quem conservar essa luz, quem viver na graça, é efectivamente santo.

Queridos amigos, a imagem dos santos foi repetidamente objecto de caricatura e apresentada de modo distorcido, como se o ser santo significasse estar fora da realidade, ser ingénuo e viver sem alegria.

Não é raro pensar-se que um santo seja apenas aquele que realiza acções ascéticas e morais de nível altíssimo, pelo que se pode certamente venerar mas nunca imitar na própria vida.

Como é errada e desalentadora esta visão!

Não há nenhum santo, à excepção da bem-aventurada Virgem Maria, que não tenha conhecido também o pecado e que não tenha caído alguma vez.

Queridos amigos, Cristo não se interessa tanto de quantas vezes vacilastes e caístes na vida, como sobretudo de quantas vezes vos erguestes.

Não exige acções extraordinárias, mas quer que a sua luz brilhe em vós.

Não vos chama porque sois bons e perfeitos, mas porque Ele é bom e quer tornar-vos seus amigos.

Sim, vós sois a luz do mundo, porque Jesus é a vossa luz.

Sois cristãos, não porque realizais coisas singulares e extraordinárias, mas porque Ele, Cristo, é a vossa vida. Sois santos porque a sua graça actua em vós.