sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Os jogadores da Série B do brasileirão machucam-se menos




É verdade. Na segundona, os jogadores batem mais que na Série A, e quase não fingem ter recebido faltas, quando as recebem.

Caem, e logo levantam.

Até os juízes são mais resistentes ao fingimento.

Não existe vitrine para se fazer de vítima, não é mesmo?

Lá na segundona é meter bronca, e tentar ganhar na marra, sem tanta técnica, mas com muita força.

Na principal da Série A do brasileirão não.

Já se pode cadenciar, "fazer que sabe", dar uma de gostoso, para a mídia futebolística.

Porque parece que precisamos dar uma de artistas no negócio, para inflar nosso ego amarelecido e azulado.

 A mídia comenta até o permitido, nunca entrando em temas tabus, como horários dos jogos na TV,que ocorrem altas horas da noite, contratos de direitos de transmissão de jogos, com golpes sobre golpes, e financiamentos  de estádios, com dinheiro do contribuinte, via BNDS e governos.

Há uma badalação de times e jogadores, enquanto evitam comentar este aluvião de irregularidades, que vai saindo pela latrina, em silêncio.

Se analisarmos então os fingimentos nas faltas, nos jogos da Copa América, ou Libertadores, chegaremos à conclusão de que na América Latina a vitimização dos jogadores, fingimento mesmo, é parte inerente da personalidade dos esportistas.

Estes se esmeram no contorcionismo criativo, para encantar juízes, orientados para resultados pré-definidos.

Estou falando bobagem?

Bem que eu gostaria de estar errado, mas estamos entrando na fase da luta livre do futebol brasileiro, que está aprendendo com os hermanos, especialistas na área.

Porque na luta livre nós já sabemos de antemão que é marmelada, mas no futebol, que é o nosso último bastião de moralidade, ah..não. 

Mas está ficando, infelizmente.

O jogador recebe uma pressãozinha, e faz aquela queda cinematográfica, para a indignação dos torcedores, forçando um posicionamento do juíz.

O juíz marca a falta, dá um cartão amarelo ou vermelho, dependendo da circunstância, e logo em seguida, passado o "assassinato", não é que o jogador levanta-se novinho em folha?

Aí o juíz fica com aquela cara de bunda, sem poder também dar um cartão amarelo para o fingidor. Afinal ele atestou o óbito.

Fica uma meditação filosófica:

Somos um povo perdendo princípios, que se utiliza da violência para se fazer de vítima?

Porquê precisamos ser vítimas?

Falta-nos ainda auto-suficiência nacional?

Complexo de subdesenvolvido?

Povo, representado nos jogadores, que não consegue atingir sua estatura natural, e precisa cair, para subir, fazendo-se de perseguido para caçar também o adversário, que na nova situação torna-se vítima.

A criatividade, a gingada, a categoria, estas fiaram perdidas no passado de esperanças, quando se acreditava que o Brasil cresceria com virtudes, e sem o uso de artifícios enganosos.

Vamos dizer assim, perdeu-se a pureza, a visão bela do futuro com ética, sem enganações.

Trocaram o toque na pelota pelos pontapés uns nos outros, e esqueceram do futebol.

E a falta de espaço e de tempo para o joador receber a bola, olhar e passar; não representa bem essa nossa modernidade, onde não temos mais condições de atender tantas demandas?

Coaduna-se muito bem com o nosso tempo esvaído.

O Brasil não tem mais a referência de sua identidade no futebol, ou pode ainda renascer? Sinceramente? Tenho dúvidas.

Tem o Neymar, o Lucas, mas são dois patinhos feios na lagoa, dirigidos por um linfático sem expressividade e humor, para destruí-los.

Resta esperança?

Tenho dúvidas...